segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Projetando as sociedades futuras





Imagine a Terra finalmente vivendo em paz. Seus habitantes em harmonia entre si e com a natureza. Os recursos são cuidadosamente preservados e compõem a base do sistema de vida no planeta. Todo o desenho da 'cidade global' é pensado para favorecer o fácil acesso e interação entre pessoas e ambientes. Os enormes círculos lembram até a cidade perdida de Atlântida, a ilha grega de Platão que abrigou uma avançada civilização em torno de 9.600 a.c. O filósofo Sócrates deu a entender em suas teses que ela foi o berço da civilização Maia, engolida por ondas gigantes no ápice da sua 'Era dourada', como ficou conhecido o período.

Automação tecnológica inteligente, sustentabilidade, trabalho informal, educação eficiente, energias não nocivas e igualdade social são palavras que passam a existir na prática em Venus, a cidade futurista projetada pelo engenheiro social Jacque Fresco e Roxanne Meadows, co-fundadora do Projeto Venus, que oferece uma alternativa na qual os direitos humanos não sejam apenas proclamações em papéis e sim um modo de vida, através do uso de tecnologias inovadoras e recuperação dos recursos naturais ameaçados de escassez.

Utopia hoje, futuro amanhã

O projeto existe desde os anos 70 com o objetivo de construir uma sociedade baseada no método científico, onde a função primária é maximizar a qualidade de vida em vez de promover o consumo irracional em nome do lucro. Há quem diga que se trata de utopia, mas Jacque Fresco prova o contrário. “Temos tecnologia e recursos suficientes para que todos tenham suas necessidades supridas”,afirma.

Fresco acredita que o socialismo, o comunismo e o fascismo irão entrar para a história como experiências sociais que deram errado por fatores em comum: ambos descartam a possibilidade de evolução - ou sejam, visam a estagnação social - e mantem as pessoas sob o comando de um poder central, geralmente um governo autoritário baseado em hierarquias. Venus vem propor no lugar da criação de infinitas leis, uma solução baseada unicamente no amor, e não no medo, como fazem os atuais modelos econômicos, eficientes apenas em criar corrupção, pobreza, guerras e escassez.

Um protótipo da cidade circular já existe na Flórida. Ele abriga idealizadores e voluntários do projeto, serve como centro de pesquisas e testa seus designs e propostas na prática. Até agora tudo tem funcionado como esperado e para ser implementado em escala global, basta que uma parcela considerável da população aceite as ideias propostas, aí então serão fornecidos desenhos e plantas da cidade para que ela saia da teoria.

O Projecto Venus tem sido divulgado pelo movimento Zeitgeist através de três filmes, Zeitgeist: The Movie de 2007, Zeitgeist: Addendum de 2008 e Zeitgeist: O futuro é agora, lançado em 2011. A obra completa faz um panorama da realidade social, financeira e revela ainda alguns aspectos até então alheios ao nosso conhecimento sobre a Terra.

Equilíbrio, a palavra-chave

Se boa parte da população concordar, Venus será implementada em etapas cuidadosamente estudadas, que vão desde fazer a declaração dos recursos mundiais como patrimônio da humanidade, superar as divisões de classes preparando intelectual e emocionalmente as pessoas para as mudanças que virão pela frente, passando pela regeneração do meio ambiente, fazer uma reformulação das cidades (algumas seriam preservadas como cidades-museu), sistemas de transporte, educação e agroindústria, até substituir aos poucos a economia monetária por entender que o dinheiro é um agravante psicológico gerando competição, acúmulo de bens e desconfiança nas relações entre os homens para implementar então o modelo de gestão social, onde todos tem voz para tomar decisões e acesso às novas tecnologias. O mais incrível é que esses objetivos podem ser alcançados apenas com com a aplicação na prática do que já conhecemos.

Sobre Jacque Fresco

Guarde bem este nome. Jacque Fresco nasceu em Nova York e ainda criança se tornou autodidata em um mini laboratorio que construiu em seu quarto, onde estudou por anos a natureza, a sociedade e suas leis. Ele acredita que a tecnologia – e não a política – é quem resolve os problemas e tem capacidade de suprir as necessidades de todos os habitantes do planeta azul.



Créditos
Texto e voz: Juliano Moreira
Edição: Matheus Lima


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